• Laís Vargas

Seu talento não é melhor ou pior que o meu



Dois anos atrás eu tinha aulas particulares de inglês para treinar conversação. Meu professor é inglês, casado com uma brasileira e mora em Niterói (RJ) há 10 anos. Mesmo depois de uma década aqui, ele mantém o sotaque britânico e insistia em puxar a minha orelha quando eu pronunciava uma palavra com inglês americano.


Ele mantinha um blog sobre rock'n'roll e sempre me contava sobre seus textos. O Eddie foi um dos caras que me incentivou a publicar meus textos na internet, mesmo que indiretamente. Afinal, além de professor de inglês, ele se formou em Psicologia na Universidade de Londres, então minhas aulas eram basicamente uma terapia em língua estrangeira.


Durante uma dessas aulas, há dois anos, falamos sobre “skills”, “achievements” e “goals” pessoais. Após algumas discussões, falamos sobre três personagens bem distintos:

  1. Um triatleta que estava se preparando para o Ironman (O Ironman é o maior evento de Triathlon do mundo, onde os atletas precisam percorrer 3,8km nadando + 180,2km pedalando + 42,2km correndo);

  2. Uma estudante coreana que toca piano e violoncelo desde seis anos de idade e que pratica várias horas todos os dias; e

  3. A Miss Venezuela, Carolina Carrizo, que venceu a competição com apenas 19 anos e não se cansa de falar que, para ser miss, é preciso muita dedicação e trabalho duro.

Após analisar rapidamente as “skills” de cada um, Eddie perguntou o que é mais difícil ser/fazer e, prontamente, sem pensar muito, respondi o triatleta.


Em seguida, ele questionou e insistiu que eu explicasse a minha resposta e foi então que, em inglês, comecei falando que o triatleta precisa de esforço físico e mental muito grande. São inúmeras competições, alimentação balanceada, treinamentos específicos, equipamentos profissionais, uma equipe técnica gigante por trás, entre outras questões.


E então, ele disse: “Mas a estudante coreana também não sofre de um desgaste físico e mental enorme para conseguir ganhar suas competições e obter excelentes resultados?”.


Foi aí que parei para analisar a situação como um todo.


Cada um de nós tem um talento específico - se você acha que não tem um, é porque ainda não o encontrou. Como eu pratiquei esportes durante toda a infância e adolescência, sei o quanto é preciso de dedicação e treino praticamente todos os dias da semana para melhorar os resultados. Então, logo de cara, me identifiquei com o triatleta.


Em contrapartida, não sou uma pessoa muito musical. É claro que gosto de música, tenho meus ídolos e uma conta no Spotify, mas o fato é que nunca achei que tivesse talento para a música. Com isso, não faço ideia do quanto uma pessoa precisa treinar e se esforçar para ter sucesso com a música.


A mesma análise vale para a Miss. Apesar de achar a faixa de Miss super legal, nunca pensei em malhar, cuidar mais do meu corpo e comer menos para ser a mulher mais bonita do mundo, então não sei quais são os esforços necessários para isso.


Julgamos os esforços do outro sem conhecimento de causa.


Hoje em dia achamos legal trabalhar 24h por dia e estar sempre atolado de trabalho, como se isso fosse bom para você e para quem trabalha com você.

Por que sempre achamos que o nosso esforço é maior que o do outro?

Finalmente, concluí que cada indivíduo, independente de sua profissão e habilidades pessoais, tem suas dificuldades, obstáculos e metas a serem alcançadas. De acordo com o talento de cada um, determinada tarefa será mais simples ou não, mas não há como diferenciar e/ou comparar os esforços.


Cada um precisa criar metas individuais, de acordo com o seu talento e objetivos, para alcançar os resultados desejados.


Você já encontrou seu talento?

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