• Laís Vargas

Porque o Google proibiu o uso de bullet points nas apresentações


Essa semana recebi de um amigo uma matéria do site Inc.com entitulada "CEO do Google não usa bullet points e você também não deveria usar" (em tradução livre). A reportagem, escrita pelo gigante Carmine Gallo, me chamou a atenção logo pelo título.


Se tem algo que bato na tecla é sobre o uso dos bullet points. Nos artigos sobre apresentações que já escrevi no LinkedIn, já falei algumas vezes sobre o porquê não usá-los e como essa estrutura de tópicos deixa seus slides chatos, feios e sem graça.


A reportagem aborda de uma forma bem direta que os funcionários do Google estão sendo treinados a criar apresentações em um modo que eles chamam de "fresher style", ou seja, que incentiva slides com menos texto, porém com mais apelo visual.


A equipe de designers da empresa está focada em criar slides "mais amigáveis ao cérebro", que são aqueles que investem em imagens impactantes e frases curtas, já que a informação visual é retida por mais tempo em nossa cabeça.


Toda essa mudança com as equipes do Google começou quando o CEO da companhia, Sundar Pichai, percebeu que era muito mais interessante contar histórias através de imagens e fotos.


Lembre-se: toda apresentação deve contar uma história.

Durante eventos como Google I/O - conferência anual que divulga novos produtos e tecnologias ao mundo - Pichai notou que a informação era melhor interpretada quando seu slide era muito simples.


Desde então, o CEO de uma das empresas mais admiradas do mundo proibiu o uso do bullet point e ainda declarou que quanto mais espaço em branco o slide tiver, melhor. Quando li isso eu não consegui esconder o sorriso. E é exatamente isso que pregamos no MINIMIZA, minha empresa de apresentações.

Nós entendemos que é difícil ser simples e é desafiador fazer mais com menos. Na maioria das vezes, uma apresentação quer te vender algo (produto ou serviço) ou te convencer de algo (mindset, forma de agir, lifestyle). Em ambos os casos, se você não entender o que estão te vendendo, você não vai comprar.


Não compramos algo que é difícil de entender, por isso precisamos minimizar a mensagem.

No MINIMIZA enfrentamos um dilema constante com clientes e prospects: a maioria acha estranho não sermos designers. Realmente, nós não somos designers. Mas sabe o que isso quer dizer? Significa que nós não enxergamos sua apresentação como uma arte ou mais uma peça gráfica, nós entendemos seu business e seu objetivo para criar uma ferramenta institucional em forma de apresentação.


Você pode achar bizarro não sermos designers no primeiro momento, mas eu posso te garantir que esse é o nosso grande diferencial.


Estamos muito mais preocupados em minimizar os slides retirando os excessos do que fazendo efeitos mirabolantes que deixam a apresentação parecendo um picadeiro de circo.


Nancy Duarte, a guru do livro "Slide:ology", também foi citada na reportagem da Inc.com e falou sobre a Regra dos 3 segundos, criada por ela mesma: se você olhar para um slide e não conseguir entendê-lo em 3 segundos, seu slide está uma ruim!


Duarte defende ainda que precisamos tratar cada slide como se fosse um outdoor de uma marca famosa.


Feche os olhos por alguns segundos e se imagine em New York à noite - mesmo que você nunca tenha ido, assim como eu, é fácil pensar na Times Square, né? Qual anúncio chamaria mais sua atenção: uma imagem de uma pessoa bebendo uma Coca-Cola ou um texto em bullet points que explica por quê beber Coca-Cola é sinônimo de felicidade?

Chris Anderson, do TED Talks, fecha a reportagem trazendo uma prática que eu acredito muito e aplico diariamente nas apresentações que desenvolvo:


Cada bullet point merece um slide para chamar de seu.

Traduzindo: não economize slides, eles são de graça! Por que encher os slides de tópicos se podemos colocar cada assunto em um slide diferente? Assim, você pode associar uma imagem a cada tema e tornar a apresentação mais visual e fluida.


Falando sobre outra gigante, a Amazon, vocês viram que o Jeff Bezos proibiu o PowerPoint nas reuniões da companhia? Vou comentar esse assunto de forma detalhada no próximo artigo. Espero te ver por aqui :)

Para ler esse e outros artigos, acesse meu LinkedIn.