• Laís Vargas

O preconceito está na nossa cabeça (e em nossos pré-conceitos)

Atualizado: 26 de Jun de 2018


É difícil assumirmos que temos preconceito. Na maioria das vezes ele está "apenas" em nossa cabeça e não percebemos em nossas atitudes no dia a dia.


Há 8 meses encaro situações diárias de preconceito.


Mas calma, sem agressão física ou verbal, nada disso. Na verdade, as pessoas nem sabem que estão sendo preconceituosas comigo. Vou explicar porquê.


No final do ano passado, criei um perfil no Instagram chamado MELHOR DE TRÊS. Minha ideia é reunir os fãs de esportes em um único lugar, independente do esporte que você ama e/ou pratica.


Através de curiosidades, dicas, novidades e experiências, faço posts sobre diferentes modalidades (de futebol a badminton, de basquete a arco e flecha). Ao longo desses meses em que gerencio o perfil do MELHOR DE TRÊS, recebo DM (Direct Message) diariamente com convites para parcerias, pedidos de posts etc.


Porém o que me chamou mais atenção durante esse período é que os seguidores enviam mensagens pra mim já assumindo que sou homem.

Obrigado, man! Valeu, cara! Tamo junto, bro!

Eu nem preciso falar sobre o preconceito que as mulheres enfrentam no mercado esportivo.


Premiação do melhor jogador de vôlei do Campeonato Mundial. O valor da premiação feminina foi a metade do valor concedido aos homens.

Joguei basquete por mais de 10 anos e já sofri preconceito!


Lembro quando eu tinha 8 anos de idade (OITO! Eu era uma criança!) e treinava com os meninos, porque em 1996 não tinha nenhuma menina na minha escola inscrita na Escolinha de Basquete além de mim.


Um garoto específico, só um ou dois anos mais velho que eu, não passava a bola pra mim durante os treinos. Nunca. E eu tenho certeza que era porque eu era uma menina.


Ele passava a bola para meninos que jogavam pior que eu, mas não pra mim.


Mesmo com o treinador chamando a atenção e o chamando de "fominha", ele continuou e convivi com isso durante anos. Até hoje lembro o nome e sobrenome dele.


No perfil do MELHOR DE TRÊS, apenas 18% dos quase 12.000 seguidores são mulheres. E mesmo com meu nome presente na descrição do perfil, as pessoas insistem em falar comigo como se eu fosse um homem.



Agora deu pra entender a frase "o preconceito está na nossa cabeça"?


Esses seguidores já assumem que sou homem porque é um perfil de esportes, assim como assumimos que um cabeleireiro homem é homossexual porque salão é "coisa de mulher" ou que o motorista da Uber é homem porque mulher dirige mal.


O preconceito está em nossos pré-conceitos.

Qual problema uma mulher fazer engenharia? Qual problema um homem ser dançarino? Que diferença faz uma criança usar rosa ou azul?

É um exercício diário para todos nós. Vamos deixar nossos pré-conceitos pra trás e não mais pré-definir gêneros para determinadas atividades ou segmentos?


Estamos em 2018, tenho até um pouco de vergonha em sentir a necessidade de escrever um texto como esse...

Não se esqueça de seguir o perfil do Melhor de Três no Instagram clicando aqui.


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