• Laís Vargas

Home sweet home office: como é trabalhar em casa?


Eu nunca pensei em trabalhar de home office. Quando iniciei minha carreira profissional, há quase 10 anos, trabalhar em casa era algo inimaginável pra mim. Apesar do desejo latente de empreender, nunca imaginei que teria um trabalho com tanta flexibilidade de horários e, principalmente, espaço físico.


Há alguns meses criei uma empresa de apresentações - o MINIMIZA – e, há dois meses decidi me dedicar 100% ao negócio. Meu sócio e eu fundamos a empresa com o pensamento de que poderíamos trabalhar de qualquer lugar do mundo, sem depender de um local fixo.


Meu escritório é na praia


Para esse início, decidimos trabalhar home office mesmo, já que a ideia é ter o mínimo de custo possível. Temos a facilidade de morar juntos – afinal, somos irmãos. Ele o caçula e eu a mais velha (e temos uma irmã do meio, que também mora com a gente). Ou seja, somos três irmãos completamente diferentes dividindo um apartamento de dois quartos na Zona Sul do Rio de Janeiro.


Apesar de estar a poucos metros da praia de Ipanema e da praia de Copacabana, eu não gosto de praia. Então não espere que eu conte que trabalho em cima da pedra do Arpoador com meu notebook escutando Charlie Brown Jr.. Até porque ninguém trabalha assim por dois motivos:

  1. O Rio está perigoso demais para sair com um MacBook por aí; e

  2. A bateria do notebook está longe de durar horas e horas.

Como nem tudo são flores, meus pais sempre vêm nos visitar e ficam alguns dias por aqui, já que moram no interior. O apartamento acaba ficando mais apertado e mais barulhento com cinco pessoas e uma bulldog francês...


As dificuldades do home office


Antes de pedir demissão, não entendia o que meu irmão estava passando. Ele saiu de onde estava trabalhando para se dedicar ao MINIMIZA antes de eu fazê-lo e estava trabalhando de casa full time.


Meu pai sempre trabalhou embarcado e, quando está em casa, se dedica 100% à família e à casa. Por isso eu entendo que, para eles, seja estranho ver os filhos em casa, mas sem estar à disposição.


Então a primeira dificuldade que enfrentamos foi fazer com que nossos pais entendessem que, mesmo em casa, estávamos trabalhando. É uma questão de costume, algo que leva um tempo mesmo.


Vimos a necessidade de criar um espaço físico dentro de casa para que eles saibam exatamente quando estamos trabalhando. Antes estávamos com o notebook em qualquer lugar da casa: no sofá, na mesa de jantar, na cama... e não estava dando certo!


Remanejamos alguns móveis e conseguimos colocar uma mesa grande, de vidro, no quarto maior. Colocamos duas cadeiras, uma lixeira, porta lápis, posicionamos o computador e o notebook nela e pronto! Não compramos nada, apenas demos um novo sentido aos móveis que estavam sendo subaproveitados.


Agora estava claro que enquanto estivéssemos na mesa, só poderíamos ser interrompidos em casos importantes ou urgentes. Mesmo assim, outra situação precisava ser corrigida: as videoconferências que realizamos com os clientes.


Como nosso sonho é trabalhar 100% remoto e de qualquer lugar do mundo, estamos nos policiando em relação às reuniões presenciais. Além de termos clientes em vários lugares do Brasil – e em alguns países mundo afora – essa mudança de mindset é importante para nós mesmos, acostumados a salas de reuniões e muito tempo gasto em deslocamentos.


Ao fazer essas reuniões online com os clientes, gostamos de fazer por vídeo para que possamos nos conhecer – mesmo que virtualmente. É uma prática que adotamos no nascimento do MINIMIZA e pretendemos manter.


Durante algumas reuniões que fiz, minha mãe me gritou, minha irmã entrou no quarto e passou atrás da câmera, minha bulldog veio com um brinquedinho na boca para que eu interagisse com ela... ou seja, não ficou claro que eu estava com um cliente! Era como se ele estivesse na minha casa!


Então adotei uma medida super simples: dez minutos antes da reunião começar, eu aviso pessoalmente a cada membro da família que eu estarei no quarto, em reunião, pelos próximos 30 minutos. Assim está todo mundo avisado e, quem quiser pegar algo no quarto, tem esses dez minutos para fazê-lo.


Pode parecer algo idiota, mas funcionou! E vem funcionando ao longo do tempo... é tudo uma questão de costume mesmo, não tem jeito.


As maravilhas do home office

Por outro lado, nunca pensei que fosse me sentir tão bem trabalhando em casa e fazendo meu próprio horário. Um dos fatores que motivou meu pedido de demissão foi eu ter controle total sobre meus horários, minhas férias e meus day off.


Pode parecer bobagem, mas entender o período que você é mais produtivo faz total diferença! Eu já fui produtiva na parte da manhã - entre 10h e 12h - mas hoje vejo que rendo melhor a partir das 15h e à noite consigo produzir em velocidade máxima!

Crédito da foto: m20store.com

Ter autonomia com os meus horários me fez enxergar claramente que é possível trabalhar menos e produzir mais.

Hoje eu consigo sair com os meus pais para fazer compras no meio do dia, posso encontrar amigos que estão de passagem na cidade e têm horários alternativos, posso viajar sem deixar de trabalhar de onde eu estiver, entre tantas outras vantagens.


Há vantagens pro corpo também, respeitando o sono sem precisar do despertador e do "soneca" (eu era uma consumidora assídua do botão snooze) e maior flexibilidade para prática de exercícios físicos (embora eu ainda precise estabelecer uma rotina saudável).


Almoçar em casa é a melhor coisa do universo e eu não tinha isso há 10 anos!!! Meu irmão adora cozinhar e ainda tenho essa vantagem: comidinha fresca todos os dias. E ele ainda lava a louça, acredita?


É fundamental se organizar pro home office, até porque você pode acabar procrastinando diversas atividades. Para isso não acontecer, uso o Trello, o bloco de notas do iPhone e um caderno.


Meu sócio e eu nos reunimos toda segunda-feira de manhã para definir as metas da semana - as individuais e as do MINIMIZA - e abastecemos o Trello com tudo que ficou definido. Dessa forma, conseguimos monitorar todos os dias o andamento das tarefas de uma forma simples e visual.


O desejo de maratonar uma série da Netflix é grande, mas com as metas definidas e focando nos horários que me sinto mais produtiva, estou conseguindo equilibrar bem o trabalho e o lazer. Essa está sendo a melhor parte!


O saldo é positivo?


Eu decidi começar falando das coisas ruins para encerrar falando de todos os aspectos bons, isso porque acredito que o saldo seja positivo.

Trabalhar em casa é (muito) mais difícil do que as pessoas imaginam e só vivendo essa experiência para você saber se é algo que você gosta ou não.

O MINIMIZA nasceu home office, mas com o desejo de ser officeless, ou seja, sem necessidade de um endereço fixo. Estamos planejando iniciar nossa jornada nômade no primeiro trimestre de 2019, com uma experiência de 3 meses para entendermos as dificuldades que podemos enfrentar no longo prazo.


Acredito que o planejamento seja fundamental, ainda mais quando falamos de trabalhar e viver em outro país, com outra língua e uma cultura completamente diferente. O home office está nos ajudando a criar uma rotina online com nossos clientes e parceiros, sendo o primeiro passo para o sonho do MINIMIZA ser totalmente nômade, seja no Brasil ou fora dele.


E você, já pensou em trabalhar fora do horário comercial?

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