• Laís Vargas

Estamos perdidos: rotulamos pessoas e não produtos

Atualizado: 26 de Jun de 2018



Nossa, o mundo tá muito chato!

Quantas vezes, só essa semana, você leu essa frase no seu feed do Facebook ou do Twitter? Será que o mundo está chato mesmo ou somos nós?


Parei para analisar os mais diversos pontos, desde a música que viciamos após escutá-la três vezes até produtos que usamos diariamente. Por que temos que rotular tudo que consumimos: gostamos ou odiamos? 


Por que simplesmente não podemos gostar ou não de algo?


Acredito que o problema esteja exatamente nesse ponto: a internet nos deu poder para falar e nos expressarmos da forma que quisermos e, a partir disso, nos sentimos na obrigação de expor nossa opinião para absolutamente tudo e todos.


Funk ou pop?

Um dos comentários que escutei que mais me motivou a escrever esse texto dizia que a Anitta estava se distanciando de suas raízes, ela agora canta pop e não funk.


A Anitta não pode cantar pop E funk? Ela não pode, simplesmente, cantar?


Qualquer artista tem o objetivo de entreter as pessoas e a Anitta tem um público fiel que acompanha seu trabalho desde os tempos de “MC Anitta” e fãs mais recentes que gostam das músicas pop. Qual é o problema?


Recentemente a Anitta foi convidada a participar de um evento sobre empreendedorismo promovido por brasileiros que estudam em Harvard e no MIT. A cantora foi contar a sua história e como foi o processo de se lançar em uma carreira internacional, tudo isso com o Jorge Paulo Lemann - o homem mais rico do Brasil - assistindo na primeira fileira.


Em seu discurso, o que mais chamou minha atenção foi:

Você não pode cobrar que o cantor de funk pare de falar sobre sexo, drogas, tráfico e favela se essa é a realidade dele. A música é uma forma de expressão e se essa é a vida que levamos, é sobre isso que o funk vai falar.

Eu fiquei muito intrigada com essa fala da Anitta e isso responde a pergunta: a Anitta agora canta pop porque é a realidade que ela vive, que conquistou com muito trabalho, planejamento, foco, suor e lágrimas.


Que tal julgarmos menos e nos questionarmos mais?


Bi ou homo?

O mais bizarro é que a maioria esmagadora das pessoas quer rotular… pessoas! E eu simplesmente não consigo entender que diferença faz uma pessoa ser hetero, bi, homo, trans e por aí vai.


Se você é homem e fica com mulheres, ok, você é hetero. Se você é homem e fica com homens, você é gay. Mas se você é homem e fica com mulheres, mas já ficou com homem, você é bi.


Por que precisamos classificar tudo e todos dentro de uma caixinha com nomes que criamos?


Absolutamente nada. Freud já dizia que gostamos de pessoas e que nosso subconsciente não vê gênero, não enxerga homem e mulher, muito menos diferencia órgão genital.


A m#rd@ toda é que a sociedade impõe padrões.


Vamos ser felizes? Vamos amar mais? Acho que todo mundo concorda que o mundo está precisando de mais amor (por favor!).


“Rótulos são para latas, não para pessoas”

Antes rotulávamos apenas latas, agora rotulamos pessoas também.


Até a Coca-Cola já retirou os rótulos de suas latas em uma ação contra o preconceito e estereótipos religiosos nos Emirados Árabes. Uma ação tão simples, mas que nos diz tanta coisa...


Eu sou fã de carteirinha da The Coca-Cola Company e suas campanhas maravilhosas. A companhia entendeu que os rótulos estão em todo lugar, em vários ambientes e em diferentes categorias de produtos. O problema foi quando começamos a rotular as pessoas.


Precisamos retirar os rótulos das nossas cabeças todos os dias.


Basta a marca do seu relógio, o modelo do seu celular, o estilo da sua calça jeans e o perfume que você usa. Esses rótulos não podem definir quem somos - e também não devemos rotular as pessoas, nem por isso e nem pelo que elas de fato são.


Ainda bem que nessa rotina que chamamos de VIDA temos uma segunda chance na maioria das vezes, principalmente para arrependimentos. A vida não é uma questão múltipla escolha com apenas uma resposta certa.

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