• Laís Vargas

As viradas da minha carreira: de CLT à empreendedora



Pela primeira vez na minha vida não tenho carteira assinada. Depois de 10 anos trabalhando em empresas, não estou mais enquadrada na famosa CLT.


O motivo é nobre: decidi empreender e ser dona do meu próprio nariz, dos meus próprios objetivos, metas, horários e, principalmente, dona do meu tempo.


Mas chegar até aqui não foi simples, pois aconteceu muita coisa em 10 anos e a minha carreira já deu algumas “viradas”. O que estou vivendo hoje é apenas mais uma delas e tenho certeza que não será a última.


Como a maioria das pessoas, eu sempre quis ter meu próprio negócio. Venho de uma família tradicional profissionalmente falando, em que meu pai é funcionário público (trabalha na mesma empresa há quase 40 anos) e minha mãe é psicanalista (e já foi professora).


Apesar de ser formada em Administração de Empresas, todo o meu curso foi focado em Marketing e Negócios. Como eu falava para as pessoas que cursava marketing, meus pais confundiam muito com publicidade e propaganda, mas tudo bem, na cabeça deles eu tentaria um concurso ou algo mais estável.


Ledo engano. Comecei a trabalhar de graça na empresa junior da faculdade – minha querida ESPM JR que tenho um enorme carinho até hoje – e depois fiz meu primeiro estágio.

Meus pais ficaram orgulhosos, mesmo não sendo uma estatal ou algo do tipo, era uma empresa grande. A Colgate é uma das companhias mais sólidas e antigas do mundo, a marca mais presente nos lares do planeta Terra (quando habitarmos Marte, tenho certeza que a Colgate estará lá também).


Completei meu estágio, fui efetivada e convidada a mudar de cidade. Do Rio para São Paulo em menos de um mês e lá estava eu, sozinha na maior megalópole do Brasil, com 22 anos e recém formada.

Convenção Nacional da Colgate @ Natal, RN - 2011


Pouco mais de um ano depois, recebi uma proposta para voltar ao Rio. Minha mãe ficou maluca: “Como assim você vai sair da Colgate?”, ela gritava ao telefone. Como eu disse, meu pai trabalha na mesma empresa há décadas, porque eu, com apenas 23 anos, já queria mudar de emprego?


E mais uma vez tomei uma difícil decisão, pedi demissão na empresa que tanto amava para ter um salto de salário e cargo rapidamente voltando para a cidade maravilhosa.


A L’Oréal me recebeu de braços abertos, com uma equipe incrível e, mais uma vez, eu fazia parte de uma organização gigante com mais de 100 anos de história.

Convenção Nacional da L'Oréal @ Ilhéus, BA - 2013


Tudo parecia bem, até que li em um livro (que não consigo lembrar o nome. Se alguém souber, por favor me ajude nos comentários!) a seguinte frase:


“Você prefere ser o rabo de um leão ou a cabeça de um cachorro?”

Essa frase mexeu muito comigo. Ela faz uma analogia onde o leão é uma empresa de grande porte e o cachorro é uma de pequeno porte. Já o rabo, é uma parte sem muita relevância para o corpo de um leão e a cabeça é uma parte muito importante de um cachorro, mesmo sendo pequeno.


Naquele momento me vi em um dilema: será que eu tenho que insistir em empresas gigantes? Será que eu quero continuar sendo o rabo de um leão?


Com apenas 25 anos eu já tinha conquistado muita coisa que nunca ia imaginar que aconteceria quando entrei na graduação: estágio em multinacional, efetivação em outra cidade, cargo sênior em 1 ano e meio após pegar o diploma.


Mas aonde eu queria chegar? Decidi que era hora de tentar algo novo.


Foi aí que minha carreira teve sua primeira grande virada: pedi demissão da L`Oréal para empreender em uma agência. A empresa não era minha, havia três sócios e eu conhecia um deles. Almoçamos, batemos um papo, conversamos de novo e ele fez uma proposta para eu criar uma nova área dentro da agência.


Criar uma área do zero? É, acho que chegou a hora de ser a cabeça de um cachorro...


Aceitei o desafio de ser Head da nova área. Uma equipe pequena, porém muito unida, que me acolheu logo de cara! Todos da mesma idade, um clima descontraído, sem precisar usar roupa social e aquela briga diária de aumentar ou diminuir a temperatura do ar condicionado era uma realidade (empresa grande tem ar central, né? Impossível interferir na temperatura).


Mesmo assim, no início foi super difícil, achei que não iria conseguir. Na verdade, achei que os resultados viriam mais rápido e não foi o que aconteceu.


O ano era 2013 e já estávamos no segundo semestre. Eu tinha que ter um plano para estruturar os processos básicos da área e, ao mesmo tempo, captar clientes de forma acelerada.


Naquele ano conseguimos fechar um grande cliente nacional e realizar três trabalhos diferentes, o que me deu um gás para continuar e acreditar que eu era capaz de estar naquela posição.

Confraternização de fim de ano da Mostarda @ Rio, RJ - 2014


Nos anos seguintes, conquistamos clientes e projetos que me enchem de orgulho! Batemos metas e supermetas, fizemos um cruzeiro com todo o time, rimos, nos abraçamos, comemoramos, batemos mais metas, comemoramos de novo e a área que era nova em 2013 se tornou a principal a partir de 2016.


Acontece que depois de tantas conquistas e quase 5 anos depois, me vi estagnada. Já fui o rabo do leão e a cabeça do cachorro, mas e agora? Eu simplesmente não sabia o que fazer, estava completamente perdida.


Passei a ser uma pessoa triste e até negativa no trabalho. Não queria ir para o escritório, chegava atrasada e saía cedo, não tinha mais aquela vontade de “fazer acontecer” e todos os dias pareciam iguais, todos cinzas e sem graça.


Eu havia perdido meu brilho nos olhos e estava difícil admitir isso.


Em abril de 2018, antes de entender que eu não era mais a mesma, criei uma empresa de apresentações com o meu irmão: MINIMIZA | Apresentações sem firulas.


No início apenas como um projeto pessoal, já que sempre falamos em ter um negócio juntos. Porém duas semanas depois conquistamos nosso primeiro cliente. Uma multinacional, gigante, querendo uma apresentação do MINIMIZA? Peraí, existimos há apenas 15 dias!


Topamos o desafio, claro, e logo em seguida vieram o segundo e terceiro clientes. Até que eu percebi que os meus olhos voltaram a brilhar...


Meu coração dizia para eu me dedicar ao MINIMIZA e fazer dar certo. O projeto que nasceu despretensioso virou negócio em um piscar de olhos e eu não poderia perder essa oportunidade.


Ouvi em uma palestra uma vez que a oportunidade é careca com um rabo de cavalo na frente. Se ela passar, você não consegue segurar e aí já era! Adeus, oportunidade!


Em junho, eu já sabia o que eu queria ser: o cérebro de um esquilo.


A partir daí foi tudo muito rápido. Conversei com meus pais sobre a minha decisão, saí da agência em poucos dias e hoje estou 100% focada na minha empresa.


Aqui eu sou o cérebro, a cabeça e o rabo.


Essa foi a segunda grande virada da minha carreira. Não é fácil e pode ter certeza que é mais desafiador do que te falam.


E como é ser tudo na sua empresa? É melhor ou pior que antes? Isso vou deixar para um próximo texto...

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